Silvio Santos – Um Vendedor De Sucesso

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Silvio Santos no quadro "Boa Noite, Cinderela", exibido na década de 70.

Silvio Santos no quadro “Boa Noite, Cinderela”, exibido na década de 70.


Todos que trabalham com vendas no Brasil devem ter um pouco de admiração por Silvio Santos. Para matar a curiosidade de muita gente, compilei uma pequena biografia sobre sua carreira.

Alberto Dom Abravanel vivia na Grécia. Ela achava que a situação estava ficando difícil para quem era judeu, quando o Império Turco-Otomano aliou-se à Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial. Ele não viu outro jeito senão embarcar para o Rio de Janeiro, bem longe daquela confusão, onde nasceu seu primeiro filho chamado Senor em 12/12/1930.

Senor, que mais tarde escolheria o nome Silvio Santos, tinha 14 anos quando seu pai gastava todo o dinheiro no cassino. Foi quando o então adolescente resolveu virar camelô. Silvio foi ganhar a vida trabalhando como camelô junto com o irmão Leon e um sobrinho de Adolpho Bloch. O primeiro tipo de produto que começou a comercializar foi capa para título de eleitor (o Brasil entrava numa fase de redemocratização após a ditadura do Estado Novo).

Um fiscal de posturas da prefeitura carioca, percebendo o potencial de voz de Silvio, o convidou a fazer um teste na Rádio Guanabara (atual Rádio Bandeirantes do Rio de Janeiro). Silvio conquistou o primeiro lugar no teste da rádio, ganhando de nomes como Chico Anysio e José Vasconcelos, mas se manteve apenas 1 mês como radialista, pois como ambulante ganhava mais.

Aos 18 anos serviu ao Exército Brasileiro como paraquedista, em Deodoro (bairro da Zona Oeste do Rio). Sabendo que a carreira de camelô era incompatível com a de militar, Silvio decidiu ser locutor da rádio Continental de Niterói. Todos os dias Silvio voltava pra casa na ultima barca da noite, nesta viajem ele sentia falta de algo para entreter os passageiros. Foi quando teve a ideia de montar na barca um serviço de radio. Com isso em mente, pediu ajuda a vários comerciantes da cidade do Rio de Janeiro. Em troca dos aparelhos de som, os comerciantes podiam fazer anúncios de sua empresa gratuitamente. Sendo assim, Silvio também começou a vender alguns anúncios despertando então sua vocação para empresário. Silvio tinha o costume de passar os domingos ao lado dos amigos na Ilha de Paquetá, a viajem demorava quase 2 horas e os passageiros sentiam sede, pois a água que abastecia os bebedouros da embarcação não eram suficientes para suprir a demanda. Silvio teve a ideia de montar um bar na barca para vender refrigerantes e cervejas. Os clientes ganhavam cartelas de bingo para concorrerem a prêmios como jarras e quadros. O negocio deu tão certo que ele se tornou um dos maiores vendedores de uma grande cervejaria de São Paulo.

Após um acidente ocorrido com a barca aonde ele atuava, a sua carreira começou a tomar outro rumo. Com a embarcação no estaleiro, Silvio ficou sem poder exercer sua função. Sendo assim, o diretor da antártica o convidou para passar um tempo na “Terra da Garoa”. Em 1950, Silvio chegou a São Paulo. Ele ficou hospedado em um hotel no centro da cidade. Um dia, enquanto estava em um bar no famoso cruzamento entre as avenidas São João e Ipiranga, Silvio Santos encontrou um locutor de uma rádio que havia trabalhado com ele no Rio. O amigo disse que estavam fazendo testes para locutor. Silvio disse que não ia tentar, mas que participaria de um programa de calouros na rádio. Quando chegou lá, ele não pôde se inscrever porque já havia trabalhado como profissional. Por isso, ele acabou fazendo o teste para locutor e foi aprovado. Este foi o primeiro trabalho do apresentador em São Paulo.

Foi em 1954 que Silvio Santos assinou seu primeiro contrato como locutor da Rádio Nacional em São Paulo. Como seu salário na rádio não era suficiente, Silvio teve que achar outras formas para ganhar dinheiro. Então ele criou uma revista chamada “Brincadeiras para Você” com palavras cruzadas, charadas e passatempos, que vendia nos comércios. Além disso, ele se empenhou na profissão de corretor de anúncios e fez shows em circos como animador em suas caravanas. Foi aí que ele ficou conhecido como o “Peru que fala”, pela fama de ficar vermelho sempre que se envergonhava.

Ele passou à TV, adaptando o formato de shows e sorteios de circo. Seu primeiro programa estreou em 1962: chamava-se “Vamos Brincar de Forca”, transmitido à noite pela TV Paulista. Em 1964, passou a comandar seu programa aos domingos. No início era das 12h às 14h. Com o tempo, porém o formato seria expandido e aprimorado transformando-se no “Programa Sílvio Santos”.

Silvio Santos nunca foi homem de um negócio apenas. Comprou do amigo Manuel da Nóbrega o Baú da Felicidade, empresa que originalmente vendia baús de presentes de Natal para crianças mediante pagamento em prestações. Depois de uma reforma nos negócios, a empresa ficou conhecida pela venda de carnês e sorteios.

Quando a TV Paulista foi incorporada à Rede Globo, Silvio seguiu com seu horário dominical, cedido mediante aluguel. Era ele que revendia os anúncios publicitários. Silvio prosperava. Sorteava carros, móveis, eletrodomésticos; criou outras empresas (Móveis Tamakavy, veículos Vimave). Enfim, montou um feudo de negócios na Globo.

Os diretores da emissora não podiam influir no programa. O próprio Roberto Marinho, fundador e dono da emissora, convenceu Silvio a ficar mais quatro anos. Mas ele queria seu próprio canal. Foi até Brasília. No dia 22 de outubro de 1975, o presidente Ernesto Geisel concedeu a Silvio Santos o canal 11 do Rio de Janeiro. Ele passou a transmitir no Rio e em São Paulo, através da TV Tupi.

Com a falência da Rede Tupi, em 1980, o programa Silvio Santos em São Paulo foi para a Record, que já era 50% de Silvio desde quando ele estava na Globo. Teria usado um “laranja” para comprar metade da emissora, que tinha Paulo Machado de Carvalho como seu outro sócio. Silvio Santos planejava adquirir uma rede nacional de televisão, ter uma programação completa e usar o canal para sorteios e promoções. No fim dos anos 70, um dos últimos soluços do regime militar foi conceder uma forma de Silvio Santos obter uma rede nacional, a TVS, hoje SBT.

Em 1987, Silvio Santos, um homem de negócios, teve suspeita de câncer de garganta. Ficou algumas semanas sem gravar seu programa, para fazer tratamentos no exterior. Recebeu milhares de manifestações – simpatias, promessas, manifestações de todo o país, uma paixão que o homem de negócios logo viu como oportunidade de se lançar à política, como forma de retribuição ou forma de ganhar algo com tanta devoção demonstrada pelo público.

Propôs em 1988 uma candidatura a prefeito de São Paulo, enfim não concretizada. Em novembro de 1989, tentou ser candidato a presidente pelo pequeno Partido Municipalista Brasileiro, no lugar do pastor evangélico Armando Corrêa. Mas teve a candidatura cassada, pois a mudança de candidato do partido às vésperas do pleito infringia a lei eleitoral. Também foi cotado para substituir o candidato Aureliano Chaves (1929-2003), do então PFL (atual DEM), o que não se concretizou.

Em 1990, Silvio Santos e Paulo Machado de Carvalho (1901-1992) venderam a Rede Record para o Bispo Edir Macedo. O SBT já estava consolidado nacionalmente, mas mesmo assim Silvio teria relutado em vender seus 50%.

O Grupo Silvio Santos é agora formado por 37 empresas, com cerca de 20 mil funcionários, incluindo o Baú da Felicidade, a rede de lojas do Baú, a Liderança Capitalização (que opera a Tele-Sena), o Hotel Jequitimar e empreendimentos agropecuários, além do Banco PanAmericano, que recebeu propostas de compra em 2004 e 2005 por grupos financeiros do Brasil e do exterior, todas recusadas por Silvio Santos.

Apesar de ser visto como um “comprador nato”, Silvio se desfez de algumas empresas nos anos 80: o CLAM (Clube de Assistência Médica), o plano de aposentadoria privada Aposentec e as lojas de móveis Tamakavy. Sobre o CLAM, Silvio crê ser muito difícil administrar uma empresa de saúde, e que se sentiria indiretamente responsável por falhas que provocassem morte ou graves danos.

No final de 2010, o Banco PanAmericano foi vítima de fraude bilionária e precisou pedir um empréstimo de R$ 2,5 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Sem saída, Silvio ofereceu o SBT e o Baú da Felicidade como garantias pelo empréstimo. Quando fechou a venda do banco PanAmericano, em janeiro de 2011, o empresário Silvio Santos, que controlava a instituição, chegou a dizer a alguns jornalistas que estava “livre” de problemas. Semanas antes, ele havia cogitado vender uma fatia de sua rede de televisão, o SBT, para cobrir o prejuízo de 4 bilhões de reais descoberto meses antes no PanAmericano, causado basicamente por uma sequência de fraudes. Com a venda, as perdas seriam cobertas pelo comprador, o banco BTG Pactual, e (a maior parte delas) pelo Fundo Garantidor de Créditos, entidade mantida por grandes bancos que é acionada quando alguma instituição passa por dificuldades. Assim, Silvio ficaria mesmo livre para continuar tocando o SBT e outros negócios de seu grupo, como a empresa de cosméticos Jequiti.

Em 2013, Silvio Santos foi incluído, pela primeira vez, na lista de bilionários publicada anualmente pela revista Forbes. O empresário aparece na posição 1.107 entre os mais ricos do mundo, 35º entre os brasileiros, com fortuna calculada em US$ 1,3 bilhão (ou R$ 2,5 bilhões, no câmbio de março de 2013). O grupo do empresário controla mais de 30 empresas, com vendas anuais na casa dos US$ 2 bilhões (R$ 3,9 bilhões), segundo a publicação. Os negócios de Silvio Santos incluem, além do SBT, a Liderança Capitalizações (que vende a Tele Sena) e a marca de cosméticos Jequiti, a “menina dos olhos” do grupo, segundo a Forbes. “Ele ainda aparece na TV e os telespectadores o amam”, diz a revista.

Hoje, a família Abravanel possuem ampla atuação no SBT. Silvio Santos emprega as filhas Silvia, diretora do núcleo infantil do SBT, Daniela, diretora artística da emissora, e Patrícia, apresentadora. Além da prole, Íris Abravanel, sua esposa, é a principal autora de novelas da Casa.

Fontes:

Portal IG, RD1, Revista Exame e Revista Forbes.

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