A Caneta, O Executivo e a Reinvenção da Montblanc

A Caneta, O Executivo e a Reinvenção da Montblanc

A Caneta, O Executivo e a Reinvenção da Montblanc


Esqueça as esferográficas comuns, um executivo jamais pode se dar ao luxo de andar por aí com uma caneta qualquer. Ter uma boa caneta traz um ganho enorme à qualquer profissional. Assinar um contrato com uma Montblanc, por exemplo, passa a imagem de alguém bem sucedido. E no mundo dos negócios, uma boa imagem é tudo. A marca Montblanc possui mais de cem anos de história, e desde que foi criada na Alemanha, tem sido grande referência de qualidade.

Um dos casos de reinvenção mais interessantes é o da marca Montblanc. Nos anos 1990, buscava-se numa reunião estratégica do conselho da empresa alternativas de receita num mundo em que as pessoas estão deixando de escrever em papel. Um dos participantes da reunião sugeriu diminuir o preço médio da Montblanc de US$ 110 para US$ 25. Isto poderia ser obtido com a diminuição dos custos de produção em se transferindo a manufatura da Suíça e da Alemanha para a China. Esta alternativa visava à margem de lucro na quantidade, e não mais na percepção de qualidade e estilo da marca Montblanc.

Outro participante da reunião enxergava como alternativa perseguir o mercado de colecionadores, dando como perdida a guerra contra os computadores e outros instrumentos digitais. A solução seria multiplicar séries especiais baseadas em datas como o Aniversário de Mozart ou o Centenário da Exposição Universal de Paris, etc. E de fato a Montblanc segue marginalmente também essa estratégia.

Alguém no entanto sugeriu: “na realidade nosso negócio não é canetas. É uma certa experiência de marca. O que precisamos é fazer a ‘autodestruição criativa’ de nossa empresa. Temos de aproveitar nossa receita ainda robusta oriunda do segmento de canetas e promover a transposição lateral da nossa marca. Levar nossa percepção de estilo a outros produtos. Devemos ir para o mundo dos relógios – uma das poucas peças da joalheria masculina. Devemos ir para as gravatas, para os artefatos finos de couro, para a sedaria, para os cosméticos e perfumes” – e a Montblanc de fato adotou essa estratégia. Hoje a empresa depende progressivamente menos da receita de canetas. Ser líder num certo segmento não deve significar que “em time que está ganhando não se mexe”.

Marcas conhecidíssimas do mercado de canetas que não se autodestruíram criativamente, que ficaram atreladas a noções arcaicas de “core business”, que não se reinventaram, como é o caso da Parker, Cross ou Sheaffer, viram suas fatias de mercado cada vez mais delgadas.

Cronologia da Marca

1906: Eberstein e Nehemias viajam pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha.
1907: Eberstein funda a empresa Simplizissimus-Füllhalter, em Berlim.
1908: A empresa muda-se para Hamburgo e é registrada como Simplo-Filler-Pen&Co.
1909: A marca Montblanc é registrada.
1913: Criação de um logotipo para grafar a marca: uma estrela simbolizando o pico Monte Branco com seus seis vales.
1924: Tem-se outro bom sucesso em canetas Montblanc (Meisterstück) .
1929: É gravado no corpo das Meisterstück o número 4.810.
1934: O nome da empresa é alterado para Montblanc Simplo GmbH.
1967: Alfred Dunhill se associa com a Montblanc.
1986: O slogan publicitário Art of Writing (Arte de Escrever) é criado.
1992: É adquirida a empresa de artigos de couro Karl Seeger Lederwarenfabrik.
2006: Completa-se o centenário da marca Montblanc.

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